segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lágrimas: Um ritual de passagem


Há dois pensamentos compartilhados por Alan Jones em seu livro Soul Making: The Desert Way of Spirituality. O primeiro foi publicado num editorial do The New Work Times: “Chorar é um fenômeno natural e não permitir as lágrimas é perigoso para a saúde”. O segundo foi formulado por Issac de Ninive: “Quem quer que seja capaz de chorar consigo mesmo por uma hora é maior do que aquele que é capaz de ensinar o mundo inteiro; e quem quer que seja que reconheça a profundidade de sua própria fraqueza é maior do que aquele que tem visões de anjos”.Pessoalmente, creio muitíssimo no poder das lágrimas. Penso que elas são agentes de mudança, de ressurreição, transformação e renovação.Do que me lembro, jamais ouvi de meus pais que "homem não chora". Pelo contrário, aprendi deles que homens verdadeiros choram, sim! Eles sabiam, por experiência própria, que lágrimas são como ritos de passagem para aqueles que querem experimentar vida plena e abundante. "A gente chora, e, então, uma nova etapa se inicia, meu filho!", disse D. Edi, minha mãe, numa certa ocasião. E insistiu, "Tem que ser assim! Do contrário, o tempo passa e, porque não aprendemos de nossas lágrimas, a vida se definha e adoece." Ela estava certa, e cada vez que me lembro da lição trago à mente um Salmo e uma realidade natural da vida. Sobre esta última, refiro-me à necessidade que todo bebê saudável tem de chorar após ter nascido. Sobre a primeira, refiro-me à uma das mais práticas verdades da experiência de ser filho de Deus: "Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã". Lágrimas são um verdadeiro dom. A expressão “chorar como uma criança” é próximo do que Alan Jones quer dizer com “dom de lágrimas”. É por intermédio deste dom que encontramos o caminho para se começar a entender o efeito liberador e libertador que as lágrimas possuem. Eu mesmo já derramei as lágrimas mais doces, tenras e apaziguadoras que se possa experimentar, daquelas que acontecem, por exemplo, num compartilhar, na oração, na leitura de algo inspirador, ou no contar e ouvir histórias de alguém. Lembro-me de ter ficado extremamente emocionado na abertura do Congresso Amsterdam 2000, no meio daquele ambiente único formado por mais de 10.000 irmãos e irmãs provindos de 185 países e de mais de 350 culturas diferentes. Chorei de alegria.Por outro lado, também já derramei lágrimas amargas e doloridas, aquelas que vem quando se ouve palavras ásperas, cortantes, humilhantes e adoecedoras. Na minha face já correram também lágrimas que procederam da pura desilusão comunitária, do desgosto, ou mesmo da mais silenciosa porém deslavada traição, e do mais duro, cretino e sádico golpe relacional, até mesmo dentro da própria igreja! Se você já experimentou ou está experimentando algo assim, sabe muito bem do que estou falando. Não fomos e não somos os primeiros, nem seremos os últimos, e, definitivamente, não estamos sozinhos nesta lista.Em todas as ocasiões, contudo, boas e ruíns, minhas lágrimas foram terapêuticas, reparadoras, revitalizadoras e redefinidoras. Hoje olho para trás e não culpo os que me deram motivos para chorar copiosamente, em público ou secretamente. Apenas agradeço ao Senhor da história por tê-los usado para que eu amadurecesse naquilo que Oswald Chambers chamou de "disciplina da desilusão" (em My Utmost for His Highest), e para que eu me tornasse mais atento às oportunidades de vida, missão e ministério que, até então, meu olhos não eram capazes de vislumbrar.Reconheço que é muito difícil entender a associação existente entre o choro e o surgimento de uma nova vida. Mas o fato é que algo novo e positivo é liberado quando nossas lágrimas rolam. Sim, as lágrimas nos liberam e libertam, porque funcionam como ante-salas de enormes horizontes de possibilidades. A dor e a desilusão, quando propriamente vivenciadas, podem nos tornar mais criativos quanto a encontrar novos caminhos, novas redes de relacionamento, novos amigos, novas formas, novas chances. É preciso, contudo, discernir os tipos de lágrimas que rolam nas nossas e nas faces dos outros. Algumas delas, notadamente as da desilusão, arremeçam nossas vidas para o crescimento pessoal e comunitário. Existem lágimas que são de puro arrependimento, que são como bálsamo, como óleo fino que unta o coração, que restaura o que se quebrou.á, porém, lágrimas que nos trancafiam e nos impedem de crescer. E não nos esqueçamos das “lágrimas de crocodilo”. Estas são as lágrimas que se derramam enquanto se devora alguém. Há lágrimas do puro ato teatral, da falcidade, da tentativa de persuação visual, da manipulação emocional e, mesmo, do flagrante abuso moral. E há, sim, lágrimas que não acontecem, bem como lágrimas que não possuem conteúdo emocional algum, meramente provocadas/geradas para se provar algo para alguém, apenas como parte de uma estratégia ou argumento."O 'dom de lágrimas' todo mundo possui", diz Alan Jones. É um dom inerente à criação. Lembrar disso nos momentos em que choro de alegria ou de tristeza me faz valorizar o privilégio de derramar lágrimas, e, assim, desenvolver uma disciplina das minhas lágrimas. E isto se tornou tão forte nos últimos anos que percebo minhas lágrimas se enxugarem mais e mais. Talvez seja por isso que percebo haver alguns tipos de lágrimas que não mais derramo uma segunda ou terceira vez.
Extraído do blog do Professor Luis Wesley.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

De repente 30 (By Karina)

Ontem, minha amiga Karina completou 30 anos, e em vez de usar o espaço aqui pra falar alguma coisa sobre ela, resolvi postar o que ela mesma fala sobre ela:

Resolução dos 30 anos.

Hoje completo 30 anos. É quase impossível não parar por alguns instantes para fazer um retrocesso na sua vida.
E avaliando todos os meus sonhos e ambições que tinha desde os meus 18 anos cheguei a conclusão de que nenhum deles se tornou realidade.
Eu sempre me imaginei uma executiva de sucesso. Morando sozinha. Cheia da grana e com um gato como companhia.
Esta era a minha ambição. O meu sonho.
Hoje tenho 30 anos... Fui jubilada da faculdade e meu salário não dá nem para eu alugar um kitinete para morar sozinha.

Aí por alguns instantes lembro do meu filho que recém completou um ano.

Lembro que todo dia quando levo ele para casa ele cisma em andar na direção errada. Eu digo para ele: Não meu filho, nossa casa é para o outro lado. Mas ele teima em ir para outra direção. Quer ir para todos os lados menos para o lado que leva ele para casa.
Eu pego ele pelo braço e mostro o caminho certo, aponto, dou uns empurrões nas costas dele para ver se ele entende qual é o caminho e vai na direção certa. Aí ele começa a ir na direção certa e de repente muda de idéia e volta para direção errada.
Aí eu perco a paciência e pego ele no colo e vou levando ele para casa.

Aí de repente tudo faz sentido para mim.
Acho que somos como crianças teimosas tentando ir para onde queremos importando ou não se este é ou não o melhor para gente, se este é ou não o caminho que nos leva para casa e Deus é como eu sou para o meu filho... Aquele que está sempre nos mostrando a direção certa, sempre nos apontando o melhor caminho, chegando até a nos pegar no colo as vezes e indo com a gente em direção a nossa casa.