segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Pichações filosóficas


Nas minhas enormes viagens de ônibus, quando o IPod está descarregado e a cabeça meio cheia de coisas, eu tenho o hábito de ler as pichações nas ruas e descobri que elas não contêm só palavrões ou erros gramaticais. Listei aqui algumas das que achei mais interresantes e por que não dizer até meio filosóficas...rs. Entre parênteses estão os meus comentários pessoais. Divirta-se lendo:


"Deixa eu brincar de ser feliz" (Não dá pra ser feliz na parede da sua casa não?)

"Viemos de longe" (Pra pichar logo aqui??)

"O promotor é só homem Deus é o juiz" (Esse argumento não vai te livrar do processo...)

"Acabou a preta" (Autoexplicativa - Começou com tinta preta e terminou com verde..rsrs)

"Pinta de novo" (Abusadinho né?!)

"Amém" (Pichado no letreiro de uma igreja)

"Filho papai te ama" (Que belo exemplo hein?!)

"Como Zaqueu"(hahahahahahaha...quero subir...e subiu mesmo, essa tava no alto do viaduto.)

" Roubando a cena" (Ainda bem que foi só a cena..rs)


"Deus perdoe seus filhos homicidas" (Fiquei me perguntando se ele se inclui no grupo.)


"Somos anjos do asafalto" (Só porque você quer...)


"Simples e rápido" (Se era pra ser simples e rápido por que não fez um miojo então??)


E a minha favorita:


"O Robocopi do sistema é frio" (???)


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Filosofia da decepção

Conhecer é tornar-se íntimo, conviver, saber detalhes sobre a outra pessoa.
Nem sempre o convívio nos garante que conhecemos o outro. Várias vezes somos surpreendidos quando alguém que aparentemente conhecemos bem toma uma atitude completamente contrária ao que esperávamos dela.
Há uma grande chance de pessoas queridas em algum momento nos decepcionarem.
Eu já decepcionei alguém um dia. Amigos já me decepcionaram também.
Até você entender e aceitar isso, cada decepção parece uma facada na alma.
Tem decepções que a gente passa que na hora parece que o nosso mundo caiu. Costumamos usar aquela frase: "era a última pessoa que eu esperava que fizesse isso".
Mas depois o tempo passa. E com o tempo algumas facadas parecem só arranhões.
É claro que cada caso é um caso e dependendo da pessoa e da decepção causada, nada mais volta a ser como antes.
Uma vez eu ouvi uma frase que me ajudou a entender melhor esse processo: "Todo mundo um dia pode te decepcionar, resta saber por quem vale a pena suportar a decepção."
E assim eu vou levando.
Como diz um ditado: não é por um burro dar um coice que se deva cortar-lhe a perna...

Exerça o perdão.
Perdoar não é passar Liquid Paper na memória.
É lembrar-se mas sem que aquilo te machuque mais.
As decepções nos ensinam isso.
Eu tenho aprendido todo dia.

Em resumo é isso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O futuro


Bom, depois de um mês sem escrever aqui, cá estou.

Na fase mais filosófica da minha vida, questionando cada milímetro da existência.

Vou me deter aqui na intrigante parte da vida chamada futuro.

Diferentemente dos vilões de desenho animado que contam tudo antecipadamente o que vão fazer e como vão fazer, o futuro tem o capricho de manter em segredo as surpresas que nos aguardam.
O futuro é uma grande peça que a vida nos prega. É um enigma indecifrável. Imprevisível. E que apesar de se chamar "futuro" consome a maior parte do nosso presente.

O futuro é o resultado de todas as nossas escolhas hoje, e é aí que está o "X" da questão.

Pautamos nossas escolhas sempre pensando onde aquilo vai nos levar (ou não), mas só teremos a prova lá no tal do "futuro".
Eu particularmente me consumo antes de tomar uma decisão. Sempre fico assombrada com o monstrengo do futuro e sem saber no que aquela minha escolha vai resultar.
E o pior disso tudo, é que não temos garantia nenhuma. O futuro, definitivamente não é lógico, e escolhas bem pensadas, não necessariamente vão assegurar absolutamente nada. Como, ao contrário, escolhas aparentemente malucas, acabam se transformando, as vezes, no futuro, em boas surpresas.

Como todo monstro, quanto mais ele vai se aproximando, mas vai nos assustando e quando menos se espera, ele está ali, no dia seguinte, pertinho, e agora?
O jeito é cair pra dentro, partir pra cima, pedir uma ajuda ao passado, nosso grande aliado.
E acho que no fim das contas o futuro acaba passando pro nosso lado.


Em resumo é isso.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O que realmente importa?

"Busco na vida tantas coisas
Que nem sei por que razão
Fortaleço minha vontade
que tudo aconteça do meu jeito
Corro enquanto acredito,
persisto até chegar ao fim
Pra descobrir, lá no final,
que eu corri atrás do vento"

Trecho da música "Vaidade"
Heloísa Rosa

Ando fazendo essa pergunta nos últimos dias, desde que voltei de viagem do Nordeste.
É interessante passar alguns dias em um lugar onde a vida passa em um ritmo diferente e onde eu percebi que é muito fácil ser feliz.
Percebi que aqui na "cidade grande", a gente corre da hora que acorda até a hora que dorme, e normalmente nunca conseguimos atingir tudo que queremos ou queremos sempre o que não podemos atingir.
Dessa inatingibildade das coisas, nasce a sensação de frustração o que leva a maioria de nós a nítida sensação de "correr atrás do vento".
Damos mais importância a uma discussão de trânsito ou intriga no trabalho ao invés de dar valor as coisas essenciais da vida.
Nunca temos tempo suficiente para os amigos, pros filhos, pra Deus...
E aí eu me pergunto: o que realmente importa?
Corremos tanto atrás de quê?
Será que estamos nos importando com que realmente importa, ou será que nos perdemos na nossa busca desenfreada?
Enfim, quero ouvir opiniões diferentes sobre esse assunto.
Enquanto isso fico com a lembrança de Mamanguape, onde as pessoas ainda sentam juntas pra tomar café e almoçar e valorizam de verdade o convivio uns com os outros...

domingo, 9 de agosto de 2009

Resiliência


Essa semana aprendi uma palavra nova: resiliência.
Uma amiga me disse que eu tinha que aprender a ser resiliente e minha primeira pergunta foi, o que é isso??...rs
É óbvio que fui procurar no Google do que se tratava e encontrei a seguinte definição: "é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material - como um elástico ou uma vara de salto em altura, que se verga até um certo limite sem se quebrar e depois retorna com força, lançando o atleta para o alto." Wikipedia
Então entendi o que ela queria dizer... e percebi que não sou nada resiliente ou pelo menos ainda não aprendi a ser.
Em resumo ser resiliente é suportar as tensões da vida e não sucumbir. Ter sua vida esticada ou envergada até o limite e mesmo assim não se "romper", não deixar de ser quem é, não desistir, não entregar os pontos. Enfim, é matar um leão por dia; passar alguns "perrengues" e continuar seguindo a vida sem se deixar abater.

Eu ainda curto umas deprês de vez em quando, me ofendo, choro, e as vezes quase me arrebento, mas como eu sempre digo, "se não fosse assim não seria a Angélica."
Definitivamente, preciso aprender a ser mais resiliente.

A duração do caminho

Por que o caminho de ida é sempre mais demorado que o caminho de volta?
Acho que todo mundo um dia já percebeu isso quando foi viajar pra algum lugar.
Quando está indo parece uma eternidade, mas na volta sempre temos a impressão de que passou mas rápido.
Algumas coisas justificam isso, o fator psicológico principalmente. Na ida há uma expectativa pela surpresa pela novidade, enquanto que na volta normalmente já sabemos o que nos espera.
Saindo um pouco do assunto de viagens e trazendo essa idéia para as situações da nossa vida, vemos que acontece exatamente o mesmo fenômeno.
Você tem que depreender um esforço enorme pra passar no vestibular por exemplo, mas pra sair da faculdade nao precisa de esforço nenhum.
Você demora pra encontrar um emprego legal, mas para perdê-lo é num piscar de olhos.
Enfim, em tantas outras áreas o caminho de volta é sempre mais rápido que o caminho da ida e o iniciar sempre mais trabalhoso que o findar.
É interessante tentarmos entender por que isso acontece, ainda que nunca tenhamos uma explicação exata dos porquês.
Como já diz um comercial de TV, "não são as respostas que movem o mundo e sim as perguntas."

domingo, 12 de julho de 2009

O tempo (By Hugo)

Meu querido amigo Hugo postou esse texto como comentário aqui no Blog, mas achei interessante e resolvi publicar como postagem:

EU AFIRMO !
O TEMPO NÃO PASSA,
NUNCA PASSOU OU PASSARÁ.
SEMPRE QUE OLHO O RELÓGIO,
NADA VEJO DE DIFERENTE,
APENAS OS MESMOS NÚMEROS,
NOS MESMOS MOMENTOS DO DIA.
PORÉM SE EU OLHO DA JANELA,AGORA SIM ...
VEJO PASSAR, UMA INFINIDADE DE GENTE ,
ROSTOS E PENSAMENTOS DIFERENTES,
QUE JAMAIS TORNAREI A VER,
INCONTÁVEIS PERSONAGENS,
VIVENDO E ACREDITANDO
E CORRENDO CONTRA...O TEMPO.
E ESTE OBSERVA ATENTO ,
DE SEU ALTO PARA-PEITO,
UM A UM ,DA LUZ AO BARRO,
SEM QUE NENHUM TENHA CONSEGUIDO DOMINÁ-LO.
O TEMPO NUNCA PASSOU...
MAS ELE SEMPRE ASSISTIU PASSAR A HUMANIDADE.

O tempo não passa , quem passa é a gente, que só passa por que age, e se não age não passa , e se não passa vira tempo...passatempo.

Hugo Soares

terça-feira, 30 de junho de 2009

Vamos começar pondo um ponto final

Li um texto que fala sobre fechar portas, encerrar ciclos, conluir etapas na nossa vida. Tenho usado esse texto para alguns amigos que tem passado por um espécie de epidemia de fins e recomeços de namoro. Queria aqui exprimir minha opinião sobre relações amorosas em geral.

É lógico que no amor não existem fórmulas matemáticas nem tampouco lógicas, mas, no entanto, a gente não perde a mania de opinar e dizer o que a gente acha que funciona ou não. Eu sempre uso uma máxima que "a vida é uma escola onde não dá pra pedir cola", ou seja, o pior caminho é você tentar ajudar comparando a experiência da pessoa com alguma outra já vivida. A experiência de um normalmente não serve pro outro, o que deu certo pra alguém não necessariamente vai dar certo pra outra pessoa, e por aí vai.

Acho que temos a sombra fantasmagórica do eterno em nossa volta. Crescemos ouvindo histórias de Cinderela e Branca de Neve, que terminam com assustadora frase "e foram felizes para sempres", então quando crescemos e nossas histórias não tem um final feliz parece que nosso script está errado, que nossa vida não está seguindo os moldes que deveria seguir.

Eu já pensei muito assim, mais uma das vantagens de se ficar mais velho é adquirir uma palavrinha mágica chamada "maturidade" e essa coisinha faz a gente mudar radicalmente de opiniões xiitas que tínhamos a um tempo atrás. Hoje acho que as pessoas passam pela nossa vida para acrescentar algo a nós e nós a elas, ainda que com experiências ruins, acabamos aprendendo algum tipo de lição.

O problema no entanto é entender quando essa pessoa já PASSOU na nossa vida. Algumas pessoas se tornam almas perambulantes que parecem estar ali presentes com algo pendente a resolver e por isso nunca vão embora de vez. O que eu tenho percebido é que normalmente somos nós que não deixamos elas irem. Temos uma idéia esquisita de posse entre pessoas e da "perda" surge a necessidade da volta simplesmente porque não entendemos que não pertencemos nem somos donos uns dos outros.

Tentar olhar a vida por um outro ângulo, fazer seus próprios planos, ser um pouco ímpar e menos par, não é facil mas acho que é o caminho. Se libertando e libertando o outro fica mais fácil pra tomar alguma decisão, seja ela qual for. Mas como eu disse no início, não há muita lógica pras coisas do coração...

Por enquanto vou me apoiando no pensamento de que o eterno é bônus extra...rs

domingo, 7 de junho de 2009

Filosofando sobre tudo


Uma vez me disseram: "Caraca Angélica, você filosofa sobre tudo, pára!"...rs

Fiquei pensando sobre isso. Eu entro no ônibus e começo a filosofar como as pessoas sentam o mais isoladas possíveis uma das outras (inclusive eu), ainda mais na era dos MP3 e IPODs onde a gente coloca o fone no ouvido e esquece o mundo, aí começo a ver que a disposição dos bancos dos ônibus que propiciam esse isolamento e por aí vai...quando vejo, já estou filosofando.
Quando paro pra analisar pessoas então, nem se fala. Se bem que nesse caso as vezes beira mais a psicologia que a filosofia, mas digo que é filosofia porque não me prendo as convenções quando as analiso, deixo minha mente viajar tentando achar a lógica das atitudes dos outros e começo a confabular mil coisas, quando vejo, pronto! Tô filosofando e criando teses dentro da minha cabeça.
Outro dia filosofei sobre ter ou não ter irmãos. Sou filha única. Isso justifica metade das minhas qualidades e defeitos principalmente. Fiquei pensando qual seria o formato correto de família, se o ser humano foi preparado pra não ter irmãos ou se a gente simplesmente se adapta por não ter opção. Fico com a segunda alternativa. Acho que devia ser proibido por lei ser filho único. A gente não aprende a dividir, a se relacionar, brigar, bater, apanhar, ou seja, acho que todo filho único vive uma meia vida, e depois acaba criando lá na frente metodos de compensação seja no trabalho, com os amigos ou em relacionamentos amorosos.
As pessoas que tem irmãos sempre me dizem: "Você pensa assim porque não tem irmãos, eu que queria ser filho único pra ter tudo que eu quero." Eu não posso deixar de rir quando me falam isso. "Ter tudo o que eu quero"...rs tudo o que eu queria era uma casa cheia e barulhenta, porque aí quando quisesse ficar sozinha iria pra algum lugar mas quando voltasse saberia que estariam ali. Mas não, eu tenho o silêncio e a paz quando eu quero e sou obrigada a ter quando não quero também... Isso justifica o porquê de eu viver filosofando: é que sobra bastante tempo pra pensar sozinha...rs
Enfim, é o tipo da coisa que ficar só na filosofia mesmo. Acho que a essa altura do campeonato fica meio difícil minha mãe me dar um irmãozinho pra eu tirar a prova..rs
Em resumo é isso.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lágrimas: Um ritual de passagem


Há dois pensamentos compartilhados por Alan Jones em seu livro Soul Making: The Desert Way of Spirituality. O primeiro foi publicado num editorial do The New Work Times: “Chorar é um fenômeno natural e não permitir as lágrimas é perigoso para a saúde”. O segundo foi formulado por Issac de Ninive: “Quem quer que seja capaz de chorar consigo mesmo por uma hora é maior do que aquele que é capaz de ensinar o mundo inteiro; e quem quer que seja que reconheça a profundidade de sua própria fraqueza é maior do que aquele que tem visões de anjos”.Pessoalmente, creio muitíssimo no poder das lágrimas. Penso que elas são agentes de mudança, de ressurreição, transformação e renovação.Do que me lembro, jamais ouvi de meus pais que "homem não chora". Pelo contrário, aprendi deles que homens verdadeiros choram, sim! Eles sabiam, por experiência própria, que lágrimas são como ritos de passagem para aqueles que querem experimentar vida plena e abundante. "A gente chora, e, então, uma nova etapa se inicia, meu filho!", disse D. Edi, minha mãe, numa certa ocasião. E insistiu, "Tem que ser assim! Do contrário, o tempo passa e, porque não aprendemos de nossas lágrimas, a vida se definha e adoece." Ela estava certa, e cada vez que me lembro da lição trago à mente um Salmo e uma realidade natural da vida. Sobre esta última, refiro-me à necessidade que todo bebê saudável tem de chorar após ter nascido. Sobre a primeira, refiro-me à uma das mais práticas verdades da experiência de ser filho de Deus: "Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã". Lágrimas são um verdadeiro dom. A expressão “chorar como uma criança” é próximo do que Alan Jones quer dizer com “dom de lágrimas”. É por intermédio deste dom que encontramos o caminho para se começar a entender o efeito liberador e libertador que as lágrimas possuem. Eu mesmo já derramei as lágrimas mais doces, tenras e apaziguadoras que se possa experimentar, daquelas que acontecem, por exemplo, num compartilhar, na oração, na leitura de algo inspirador, ou no contar e ouvir histórias de alguém. Lembro-me de ter ficado extremamente emocionado na abertura do Congresso Amsterdam 2000, no meio daquele ambiente único formado por mais de 10.000 irmãos e irmãs provindos de 185 países e de mais de 350 culturas diferentes. Chorei de alegria.Por outro lado, também já derramei lágrimas amargas e doloridas, aquelas que vem quando se ouve palavras ásperas, cortantes, humilhantes e adoecedoras. Na minha face já correram também lágrimas que procederam da pura desilusão comunitária, do desgosto, ou mesmo da mais silenciosa porém deslavada traição, e do mais duro, cretino e sádico golpe relacional, até mesmo dentro da própria igreja! Se você já experimentou ou está experimentando algo assim, sabe muito bem do que estou falando. Não fomos e não somos os primeiros, nem seremos os últimos, e, definitivamente, não estamos sozinhos nesta lista.Em todas as ocasiões, contudo, boas e ruíns, minhas lágrimas foram terapêuticas, reparadoras, revitalizadoras e redefinidoras. Hoje olho para trás e não culpo os que me deram motivos para chorar copiosamente, em público ou secretamente. Apenas agradeço ao Senhor da história por tê-los usado para que eu amadurecesse naquilo que Oswald Chambers chamou de "disciplina da desilusão" (em My Utmost for His Highest), e para que eu me tornasse mais atento às oportunidades de vida, missão e ministério que, até então, meu olhos não eram capazes de vislumbrar.Reconheço que é muito difícil entender a associação existente entre o choro e o surgimento de uma nova vida. Mas o fato é que algo novo e positivo é liberado quando nossas lágrimas rolam. Sim, as lágrimas nos liberam e libertam, porque funcionam como ante-salas de enormes horizontes de possibilidades. A dor e a desilusão, quando propriamente vivenciadas, podem nos tornar mais criativos quanto a encontrar novos caminhos, novas redes de relacionamento, novos amigos, novas formas, novas chances. É preciso, contudo, discernir os tipos de lágrimas que rolam nas nossas e nas faces dos outros. Algumas delas, notadamente as da desilusão, arremeçam nossas vidas para o crescimento pessoal e comunitário. Existem lágimas que são de puro arrependimento, que são como bálsamo, como óleo fino que unta o coração, que restaura o que se quebrou.á, porém, lágrimas que nos trancafiam e nos impedem de crescer. E não nos esqueçamos das “lágrimas de crocodilo”. Estas são as lágrimas que se derramam enquanto se devora alguém. Há lágrimas do puro ato teatral, da falcidade, da tentativa de persuação visual, da manipulação emocional e, mesmo, do flagrante abuso moral. E há, sim, lágrimas que não acontecem, bem como lágrimas que não possuem conteúdo emocional algum, meramente provocadas/geradas para se provar algo para alguém, apenas como parte de uma estratégia ou argumento."O 'dom de lágrimas' todo mundo possui", diz Alan Jones. É um dom inerente à criação. Lembrar disso nos momentos em que choro de alegria ou de tristeza me faz valorizar o privilégio de derramar lágrimas, e, assim, desenvolver uma disciplina das minhas lágrimas. E isto se tornou tão forte nos últimos anos que percebo minhas lágrimas se enxugarem mais e mais. Talvez seja por isso que percebo haver alguns tipos de lágrimas que não mais derramo uma segunda ou terceira vez.
Extraído do blog do Professor Luis Wesley.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

De repente 30 (By Karina)

Ontem, minha amiga Karina completou 30 anos, e em vez de usar o espaço aqui pra falar alguma coisa sobre ela, resolvi postar o que ela mesma fala sobre ela:

Resolução dos 30 anos.

Hoje completo 30 anos. É quase impossível não parar por alguns instantes para fazer um retrocesso na sua vida.
E avaliando todos os meus sonhos e ambições que tinha desde os meus 18 anos cheguei a conclusão de que nenhum deles se tornou realidade.
Eu sempre me imaginei uma executiva de sucesso. Morando sozinha. Cheia da grana e com um gato como companhia.
Esta era a minha ambição. O meu sonho.
Hoje tenho 30 anos... Fui jubilada da faculdade e meu salário não dá nem para eu alugar um kitinete para morar sozinha.

Aí por alguns instantes lembro do meu filho que recém completou um ano.

Lembro que todo dia quando levo ele para casa ele cisma em andar na direção errada. Eu digo para ele: Não meu filho, nossa casa é para o outro lado. Mas ele teima em ir para outra direção. Quer ir para todos os lados menos para o lado que leva ele para casa.
Eu pego ele pelo braço e mostro o caminho certo, aponto, dou uns empurrões nas costas dele para ver se ele entende qual é o caminho e vai na direção certa. Aí ele começa a ir na direção certa e de repente muda de idéia e volta para direção errada.
Aí eu perco a paciência e pego ele no colo e vou levando ele para casa.

Aí de repente tudo faz sentido para mim.
Acho que somos como crianças teimosas tentando ir para onde queremos importando ou não se este é ou não o melhor para gente, se este é ou não o caminho que nos leva para casa e Deus é como eu sou para o meu filho... Aquele que está sempre nos mostrando a direção certa, sempre nos apontando o melhor caminho, chegando até a nos pegar no colo as vezes e indo com a gente em direção a nossa casa.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Permita-se (By Angélica)


Permita-se

Permita-se sonhar, arriscar, errar
Permita-se não saber, tentar, insistir
Permita-se acreditar
Permita-se amar
Permita-se chorar
Permita-se repensar, filosofar, concluir
Permita-se apaixonar
Permita-se imaginar, racionalizar, não entender
Permita-se vislumbrar, apostar, conquistar
Permita-se ir
Permita-se voltar
Permita-se arrancar, construir, derrubar
E se nada funcionar, permita-se refazer
Permita-se permitir
Permitir-se é viver
Viver é permitir-se.

Angélica Lima

Estou cansado!

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.
Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.
Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.
Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.
Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Pr. Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda em SP.

O Mito da Liberdade

A vontade é exaltada como a grandiosa capacidade da alma humana que é completamente livre para dirigir as nossas vidas. Mas do que ela é livre? E do que é capaz?
O MITO DA LIBERDADE CIRCUSTANCIAL
Ninguém pode negar que o homem tem vontade que é a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer, pensar. Mas já refletiu sobre a lastimável fraqueza de sua vontade? Embora tenha a capacidade de tomar uma decisão, não tem o poder de realizar o seu propósito. A vontade pode projetar um curso de ação, mas não tem em si a mesma capacidade de realizar o que intenta. Quantas das suas decisões são miseravelmente frustradas? Você pode desejar ser um milionário, mas é possível que a providência de Deus impeça isto. Você pode querer sair de férias, mas um acidente de automóvel pode mandá-lo para o hospital. Ao dizer que a vontade é livre, certamente não queremos dizer que ela determina o curso da sua vida. Você não escolheu a doença, a dor, a guerra, e pobreza que espoliaram a sua felicidade. Você não optou por ter inimigos. Se a vontade é tão potente, porque não desejar continuar vivendo sempre e sempre? Mas você certamente vai morrer. Os principais fatores que moldam sua vida não se devem a sua vontade. Você não escolheu a sua condição social, cor, inteligência etc...
Uma sóbria reflexão sobre a sua própria experiência levará a conclusão que o coração do homem propõe o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos. (Pv 16.9) Em vez de exaltarmos a vontade humana, deveríamos humildemente louvar ao Senhor cujos propósitos formam as nossas vidas, assim como confessou Jeremias :"Eu sei ,ó SENHOR , que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha dirigir os seus passos" (Jeremias 10:23) Sim, você pode escolher e planejar o que tiver vontade. Mas a sua vontade não é livre para realizar nada contrário á vontade de Deus. Nem tem você a capacidade de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu. Da próxima vez que estiver tão fascinado com a sua vontade, lembre-se da parábola de Jesus sobre o homem rico que disse : Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens, e direi a minha alma "Alma, tens um depósito e bens para muitos anos, descansa, come, bebe, e folga. Mas Deus lhe disse : Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será ? (Lucas 12:18-21) Ele era livre para planejar, mas não para realizar, desse modo é você. Atentai, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucro. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíes dizer: Se o Senhor quiser ,nós viveremos, como também faremos isto e aquilo.(Tiago 4:13-16)
O MITO DA LIBERDADE ÉTICA
O Livre arbítrio é citado como um importante fator na tomada de decisões morais. Diz-se que a vontade do homem é livre para escolher entre o bem e o mal. Mas devemos perguntar novamente: Ela é livre do quê? É livre para escolher o quê? A vontade do homem é a sua capacidade de escolher entre alternativas. A sua vontade, de fato, decide qual a sua ação entre um certo número de opções. Você tem a faculdade de dirigir seus próprios pensamentos, palavras e feitos. Suas decisões não são formadas por uma força externa, mas internas, em você mesmo. Nenhum homem é compelido a agir contrário a sua vontade, nem forçado a dizer o que não quer. Sua vontade guia as suas ações. Isto, entretanto, não significa que a sua capacidade de decidir está livre de qualquer influência. Você escolhe com base no seu entendimento, sentimentos, gostos e desgostos, e seus anseios. Em outras palavras: Sua vontade não é livre de você mesmo! Suas escolhas são determinadas pelo seu próprio caráter básico. Sua vontade não é independente da sua natureza, mas escrava dela. Suas escolhas não formam seu caráter, mas o seu caráter guia a sua escolha. A vontade é inclinada á aquilo que você conhece, sente, ama e deseja. Você sempre escolhe com base em sua disposição, de acordo com a condição do seu coração. É apenas por esta razão que a sua vontade não é livre para fazer o bem. Sua vontade é escrava do seu coração, e o seu coração é mau” . Viu o Senhor que a maldade do homem tinha se multiplicado na terra, e que era continuamente mal todo o designo do seu coração (Gn 6:5) "Não há quem faça o bem, não há nenhum sequer. (Rm 3.12) Não há força que obrigue o homem a pecar contra a sua vontade, entretanto os descendentes de Adão são tão maus que sempre escolhem o mal. Escolher a Deus é contrário a natureza humana. Se você decidisse obedecer a Deus, seria o resultado de uma compulsão externa. Mas você é livre para escolher, e por isso sua escolha está escravizada a sua própria má natureza. Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. É a sua natureza que dita qual a sua escolha. É desse modo com o homem. A vontade humana é livre da força exterior, mas não é livre dos pendores da natureza humana. E este pendor é contra Deus.
A capacidade de escolhas do coração do homem é livre para escolher qualquer coisa que o coração do homem ditar, assim, não existe a possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem que haja a prévia operação da sua graça divina. Aquilo que a maioria das pessoas entende por livre-arbítrio é a idéia que o homem é neutro e, portanto, capaz de escolher tanto o bem quanto o mal. Isto simplesmente não é verdade.
O livre arbítrio humano seria como toda a natureza humana, é inclinado só e continuamente para o mal. Jeremias indagou: "Pode o Etíope mudar a sua pele, ou um leopardo as suas manchas? Nesse caso também vós poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal? É impossível! É contrário á natureza. Por isso que os homens precisam desesperadamente da transformação sobrenatural de suas naturezas, de outro modo seus desejos então escravizados na escolha do mal”.
A despeito da grande exaltação que é dada ao Livre arbítrio. Temos visto que a vontade do homem não é livre para escolher um curso contrário aos propósitos de Deus, nem livre para agir de forma contrária á sua própria natureza moral.
Sua vontade não determina nem os acontecimentos nem as circunstâncias da sua vida. Escolhas éticas não são tomadas por mente neutra, mas, são ditadas sempre pelas características de sua personalidade.

EXTRAÍDO: Pastor da Igreja Batista da Graça WALTER CHANTRY