quarta-feira, 29 de abril de 2009

Permita-se (By Angélica)


Permita-se

Permita-se sonhar, arriscar, errar
Permita-se não saber, tentar, insistir
Permita-se acreditar
Permita-se amar
Permita-se chorar
Permita-se repensar, filosofar, concluir
Permita-se apaixonar
Permita-se imaginar, racionalizar, não entender
Permita-se vislumbrar, apostar, conquistar
Permita-se ir
Permita-se voltar
Permita-se arrancar, construir, derrubar
E se nada funcionar, permita-se refazer
Permita-se permitir
Permitir-se é viver
Viver é permitir-se.

Angélica Lima

Estou cansado!

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.
Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.
Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.
Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.
Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.
Pr. Ricardo Gondim é pastor da Assembléia de Deus Betesda em SP.

O Mito da Liberdade

A vontade é exaltada como a grandiosa capacidade da alma humana que é completamente livre para dirigir as nossas vidas. Mas do que ela é livre? E do que é capaz?
O MITO DA LIBERDADE CIRCUSTANCIAL
Ninguém pode negar que o homem tem vontade que é a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer, pensar. Mas já refletiu sobre a lastimável fraqueza de sua vontade? Embora tenha a capacidade de tomar uma decisão, não tem o poder de realizar o seu propósito. A vontade pode projetar um curso de ação, mas não tem em si a mesma capacidade de realizar o que intenta. Quantas das suas decisões são miseravelmente frustradas? Você pode desejar ser um milionário, mas é possível que a providência de Deus impeça isto. Você pode querer sair de férias, mas um acidente de automóvel pode mandá-lo para o hospital. Ao dizer que a vontade é livre, certamente não queremos dizer que ela determina o curso da sua vida. Você não escolheu a doença, a dor, a guerra, e pobreza que espoliaram a sua felicidade. Você não optou por ter inimigos. Se a vontade é tão potente, porque não desejar continuar vivendo sempre e sempre? Mas você certamente vai morrer. Os principais fatores que moldam sua vida não se devem a sua vontade. Você não escolheu a sua condição social, cor, inteligência etc...
Uma sóbria reflexão sobre a sua própria experiência levará a conclusão que o coração do homem propõe o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos. (Pv 16.9) Em vez de exaltarmos a vontade humana, deveríamos humildemente louvar ao Senhor cujos propósitos formam as nossas vidas, assim como confessou Jeremias :"Eu sei ,ó SENHOR , que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha dirigir os seus passos" (Jeremias 10:23) Sim, você pode escolher e planejar o que tiver vontade. Mas a sua vontade não é livre para realizar nada contrário á vontade de Deus. Nem tem você a capacidade de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu. Da próxima vez que estiver tão fascinado com a sua vontade, lembre-se da parábola de Jesus sobre o homem rico que disse : Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens, e direi a minha alma "Alma, tens um depósito e bens para muitos anos, descansa, come, bebe, e folga. Mas Deus lhe disse : Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será ? (Lucas 12:18-21) Ele era livre para planejar, mas não para realizar, desse modo é você. Atentai, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucro. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíes dizer: Se o Senhor quiser ,nós viveremos, como também faremos isto e aquilo.(Tiago 4:13-16)
O MITO DA LIBERDADE ÉTICA
O Livre arbítrio é citado como um importante fator na tomada de decisões morais. Diz-se que a vontade do homem é livre para escolher entre o bem e o mal. Mas devemos perguntar novamente: Ela é livre do quê? É livre para escolher o quê? A vontade do homem é a sua capacidade de escolher entre alternativas. A sua vontade, de fato, decide qual a sua ação entre um certo número de opções. Você tem a faculdade de dirigir seus próprios pensamentos, palavras e feitos. Suas decisões não são formadas por uma força externa, mas internas, em você mesmo. Nenhum homem é compelido a agir contrário a sua vontade, nem forçado a dizer o que não quer. Sua vontade guia as suas ações. Isto, entretanto, não significa que a sua capacidade de decidir está livre de qualquer influência. Você escolhe com base no seu entendimento, sentimentos, gostos e desgostos, e seus anseios. Em outras palavras: Sua vontade não é livre de você mesmo! Suas escolhas são determinadas pelo seu próprio caráter básico. Sua vontade não é independente da sua natureza, mas escrava dela. Suas escolhas não formam seu caráter, mas o seu caráter guia a sua escolha. A vontade é inclinada á aquilo que você conhece, sente, ama e deseja. Você sempre escolhe com base em sua disposição, de acordo com a condição do seu coração. É apenas por esta razão que a sua vontade não é livre para fazer o bem. Sua vontade é escrava do seu coração, e o seu coração é mau” . Viu o Senhor que a maldade do homem tinha se multiplicado na terra, e que era continuamente mal todo o designo do seu coração (Gn 6:5) "Não há quem faça o bem, não há nenhum sequer. (Rm 3.12) Não há força que obrigue o homem a pecar contra a sua vontade, entretanto os descendentes de Adão são tão maus que sempre escolhem o mal. Escolher a Deus é contrário a natureza humana. Se você decidisse obedecer a Deus, seria o resultado de uma compulsão externa. Mas você é livre para escolher, e por isso sua escolha está escravizada a sua própria má natureza. Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. É a sua natureza que dita qual a sua escolha. É desse modo com o homem. A vontade humana é livre da força exterior, mas não é livre dos pendores da natureza humana. E este pendor é contra Deus.
A capacidade de escolhas do coração do homem é livre para escolher qualquer coisa que o coração do homem ditar, assim, não existe a possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem que haja a prévia operação da sua graça divina. Aquilo que a maioria das pessoas entende por livre-arbítrio é a idéia que o homem é neutro e, portanto, capaz de escolher tanto o bem quanto o mal. Isto simplesmente não é verdade.
O livre arbítrio humano seria como toda a natureza humana, é inclinado só e continuamente para o mal. Jeremias indagou: "Pode o Etíope mudar a sua pele, ou um leopardo as suas manchas? Nesse caso também vós poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal? É impossível! É contrário á natureza. Por isso que os homens precisam desesperadamente da transformação sobrenatural de suas naturezas, de outro modo seus desejos então escravizados na escolha do mal”.
A despeito da grande exaltação que é dada ao Livre arbítrio. Temos visto que a vontade do homem não é livre para escolher um curso contrário aos propósitos de Deus, nem livre para agir de forma contrária á sua própria natureza moral.
Sua vontade não determina nem os acontecimentos nem as circunstâncias da sua vida. Escolhas éticas não são tomadas por mente neutra, mas, são ditadas sempre pelas características de sua personalidade.

EXTRAÍDO: Pastor da Igreja Batista da Graça WALTER CHANTRY